UFMG inaugura supercomputador 'Soberano', que vai usar inteligência artificial para mapear o Brasil
27/10/2026
(Foto: Reprodução) UFMG inaugura supercomputador 'Soberano', que vai usar inteligência artificial para mapear o Brasil
UFMG/Divulgação
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) inaugurou, nesta terça-feira (27), um supercomputador preparado para usar inteligência artificial na análise de grandes quantidades de imagens e dados sobre o território brasileiro. Batizado de "Soberano", o equipamento foi instalado no Instituto de Geociências (IGC), no campus Pampulha, em Belo Horizonte.
Na prática, a máquina poderá receber volumes consideráveis de capturas geradas por satélites, radares, drones e outros dispositivos para procurar informações de interesse dentro delas com IA. Entre as possibilidades estão identificar mudanças na vegetação, áreas sujeitas a desastres e características do solo, além de acelerar a produção de mapas detalhados do Brasil (leia mais abaixo).
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A diferença para um computador comum está principalmente na maneira como o trabalho é feito:
🖥️ Assim como outras máquinas modernas, o supercomputador consegue executar cálculos simultâneos, mas com uma diferença de escala: ele reúne componentes especializados para realizar uma quantidade muito maior dessas operações complexas ao mesmo tempo.
📊 Esse tipo de processamento é especialmente importante em tarefas de inteligência artificial e na análise de grandes volumes de dados (leia mais abaixo).
No mesmo evento, a UFMG inaugurou a Hyper-Cam Mini xLW, uma câmera chamada de hiperespectral. Ela é capaz de analisar faixas da luz que os olhos humanos não conseguem distinguir para identificar diferentes materiais e tornar as características do mapeamento ainda mais precisas.
🔍 A câmera ajuda, por exemplo, a diferenciar materiais que podem parecer iguais em uma foto comum, como uma folha saudável e uma folha seca, diferentes tipos de solo, água, concreto e minerais.
Entenda, a partir dos pontos abaixo, o trabalho do supercomputador:
IA para mapear o Brasil
O que torna a máquina tão potente?
Por que 'Soberano'?
IA para mapear o Brasil
Uma das principais missões do supercomputador é facilitar a produção de mapas mais detalhados do Brasil.
Segundo a UFMG, apenas cerca de 8% dos 8,5 milhões de km² do território brasileiro estão mapeados na escala 1:25.000 — quando um centímetro no mapa corresponde a 250 metros no terreno.
Esse grau de detalhamento é importante, por exemplo, para planejar cidades e obras, administrar rios e bacias hidrográficas e identificar locais sujeitos a desastres. O desafio, no entanto, está na quantidade de informação que precisa ser analisada.
Satélites, drones e radares podem produzir um volume gigantesco de imagens. Em vez de depender apenas de pessoas para examinar esse material, o projeto pretende usar sistemas de inteligência artificial para identificar automaticamente informações de interesse.
É aí que entra o "Soberano". Ele pode ajudar, por exemplo, a monitorar desmatamento e mineração ilegal, acompanhar regiões sujeitas a inundações e deslizamentos e vigiar as fronteiras do país.
O que torna a máquina tão potente?
O coração do "Soberano" é formado por oito unidades Nvidia H200, equipamentos desenvolvidos especificamente para trabalhos pesados de inteligência artificial e computação científica. Cada uma tem 141 GB de memória própria, de alta velocidade.
A H200 é uma unidade de processamento gráfico (GPU) voltada a servidores e centros de dados, idealizada para tarefas pesadas de IA e computação científica, em vez do uso cotidiano de uma máquina pessoal.
De forma simplificada, esses componentes funcionam como motores especializados em fazer uma enorme quantidade de cálculos simultaneamente, a uma velocidade extremamente rápida. Isso é importante para a inteligência artificial porque a tecnologia precisa repetir operações matemáticas muitas vezes para aprender a reconhecer padrões em grandes conjuntos de informações.
O "Soberano" tem oito dessas unidades trabalhando no mesmo servidor. Além delas, há outros dez conjuntos de processadores e cerca de 400 terabytes de espaço para armazenar dados.
De acordo com a UFMG, todo o sistema foi projetado, instalado e configurado por equipes brasileiras.
Por que 'Soberano'?
Conforme a Universidade Federal de Minas Gerais, o nome "Soberano" está relacionado ao caráter estratégico das informações sobre o território nacional e à intenção de manter o conhecimento produzido sob domínio de instituições brasileiras.
O projeto envolve a UFMG, o Instituto Militar de Engenharia (IME) e a Diretoria de Serviço Geográfico do Exército (DSG).
O supercomputador e a câmera tiveram investimentos públicos no valor de R$ 15 milhões e serão usados em apoio a órgãos estaduais e federais, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), entre outros.
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