Sem vestibular: olimpíadas de conhecimento podem garantir vaga em universidades
05/11/2026
(Foto: Reprodução) Parceria Salesiano e Bernoulli impulsiona alunos medalhistas em olimpíadas científicas
Divulgação
Enquanto mais de cinco milhões de estudantes se preparam para a maratona do Enem em novembro, há quem já esteja com a vaga garantida no ensino superior por mérito olímpico. Alunos que conquistam medalhas em competições de prestígio, a exemplo das olimpíadas científicas OBMEP e Canguru, contam com uma nova porta de entrada nas principais universidades do país: os editais de vagas olímpicas.
Diversas universidades brasileiras oferecem editais seguindo o exemplo da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), primeira instituição no país a criar e implementar, no ano de 2019, um processo seletivo voltado para o ingresso de estudantes medalhistas em olimpíadas científicas e acadêmicas, sem a necessidade de passar pelo vestibular tradicional.
Para concorrer às vagas olímpicas, os candidatos não precisam realizar uma prova. Cada instituição conta com um edital específico e detalhado, no qual define critérios sobre a análise curricular, quais medalhas serão aceitas, além de informações sobre os cursos de graduação e a quantidade de vagas disponibilizadas. Segundo levantamento realizado pela Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), só neste ano, Unicamp, USP e Unesp somam juntas mais de 800 vagas reservadas aos medalhistas.
Cursando a 3ª série do ensino médio, a estudante Fernanda Nalon, 17 anos, começou a se interessar pelas olimpíadas científicas logo após o período de isolamento da pandemia, em 2022. “Na época, os professores falavam bastante sobre as olimpíadas internas, realizadas pela escola, e também chegavam a falar sobre olimpíadas nacionais, como a OBMEP e a ONC, sempre comentando sobre os incontáveis benefícios tanto para o aprendizado quanto para o futuro dos alunos no ingresso às faculdades.”
As primeiras competições de que Fernanda participou foram organizadas pela própria Rede Salesiana, onde ela estuda desde 2014, no Infantil 5. De olho nas oportunidades futuras e com todo o incentivo da escola, ela conseguiu enriquecer o currículo, que traz também a participação em competições nacionais de diferentes áreas do conhecimento: Canguru, OBMEP, OBF, OBA, OBQ, ONC, ONHB, OBG, ONE, OMEBA, OBABIO e OIM. Entre as conquistas, a estudante foi medalhista de bronze, em 2024, e de ouro, em 2025, na fase estadual da OBG (Olimpíada Brasileira de Geografia); medalhista de bronze, em 2024, na OBABIO (Olimpíada Brasileira de Biologia); e recebeu menção honrosa, em 2026, na ONC (Olimpíada Nacional de Ciências).
“Quando eu descobri que as olimpíadas complementam o currículo escolar e facilitam o ingresso em faculdades com o sistema de vagas olímpicas, passei a me inscrever em todas as competições que apareciam. Com isso, conquistei certificados e consagrações que vão me ajudar muito no meu futuro e na escolha de uma faculdade”, frisou.
Ângela Elisabeth Andrade Lino, estudante da Rede Salesiana, conquista medalhas enquanto se prepara para seu futuro na medicina
Divulgação
Medalhas e novos conhecimentos
Incentivar a participação em olimpíadas científicas e acadêmicas vai muito além da medalha. Para os estudantes, todo o processo que envolve as competições — desde a preparação e as novas rotinas de estudos até os dias de provas — proporciona vivências que serão um diferencial para os futuros profissionais e cidadãos.
Medalhista de bronze na OBMEP nos anos de 2023 e 2024, e de ouro na Olimpíada de Literatura JR em 2025, a estudante Ângela Elisabeth Andrade Lino, 16 anos, afirmou que participa das olimpíadas porque gosta de competir, mas ao longo do processo percebeu o desenvolvimento de habilidades como raciocínio lógico, foco e maior equilíbrio emocional.
“As olimpíadas me fazem pensar ‘fora da caixa’, porque você tem que se desdobrar de maneiras menos convencionais para responder aos desafios e questões”, pontuou.
Fernanda Nalon destaca também que as provas aplicadas relacionam conteúdos técnicos com situações do cotidiano, permitindo adquirir novos conhecimentos enquanto o estudante responde às questões.
“A ONHB (Olimpíada Nacional em História do Brasil), por exemplo, sempre possui um tema-base que envolve alguma pauta social. Neste ano, ela abordou as mulheres na ciência, trazendo questões com documentos que expandem os horizontes e mostram pontos de vista diferentes. Dessa forma, as competições auxiliam no desenvolvimento de um raciocínio mais apurado, formando jovens mais críticos e empáticos.”
O professor Rodrigo Pereira acredita no potencial cognitivo da participação dos estudantes em competições acadêmicas e científicas. No Colégio Salesiano Dom Bosco Salvador, onde leciona Redação para as turmas do ensino médio, a participação em competições é estimulada a partir de dinâmicas dentro da própria sala de aula.
“O valor da participação nessas competições está em nossos estudantes vivenciarem situações e contextos de aplicação prática dos conhecimentos construídos em sala de aula. No caso da Redação, isso se revela no potencial argumentativo, no repertório e na forma de conhecer e apresentar os problemas sociais.”
Para os estudantes que estão focados em tirar a nota máxima, seja nas competições ou nos grandes exames, ou ainda para aqueles que já têm um ritmo mais avançado, o professor investe forte na lapidação dos textos, indo além das aulas expositivas.
“Periodicamente, oportunizamos feedbacks individuais e personalizados com os estudantes sobre suas dificuldades, trazendo estratégias de como vencê-las. Nas aulas, damos preferência a repertórios filosóficos mais complexos, ao refinamento da norma-padrão e a deixar o projeto de texto muito estratégico. O objetivo é ajustar cada detalhe para que a redação deles fique impecável e pronta para gabaritar qualquer prova concorrida”, concluiu.
Parceria de excelência e resultados
A Rede Salesiana incentiva a participação dos estudantes em olimpíadas de diversas áreas do conhecimento desde os anos iniciais até o ensino médio, oferecendo todo o suporte com aulas especiais, material didático, orientações e acompanhamento. Nos últimos anos, unidades como o Liceu Salesiano e o Colégio Dom Bosco, em Salvador e Camaçari, acumulam resultados expressivos nas olimpíadas Brasileiras de Geografia (OBG), Astronomia e Astronáutica (OBA), na OBMEP e na ONHB, entre outras. Só este ano, já são mais de 100 medalhas conquistadas.
“A Salesianidade, a nossa identidade, permeia toda a formação dos estudantes, visto que, antes de termos bons resultados e bons profissionais, precisamos formar boas pessoas. Isso, aliado ao que o Sistema Bernoulli oferece, com livros atualizados, plataforma rica e simulados excelentes, contribui sobremaneira para a continuidade do trabalho que já desenvolvemos. Os resultados positivos, que cresceram nos últimos cinco anos, serão ainda melhores a partir de 2026”, destacou o supervisor do Ensino Médio, Prof. Dr. Edivasco dos Reis Carneiro.
Na prática, Fernanda Nalon destaca que o colégio costuma fornecer aulas preparatórias opcionais antes das olimpíadas. Para exames como a OBMEP e o Canguru, os estudantes se habituam ao formato e ao conteúdo das provas por meio da resolução de questões e de aulas direcionadas.
“Já em competições como a ONHB e a OBG, as dinâmicas são diferentes: os professores marcam reuniões semanais durante o percurso da prova para ajudar nas pesquisas e no entendimento dos documentos. Logo, os docentes ajudam resolvendo questões e destrinchando partes mais complexas dos conteúdos, enquanto o material didático organiza os conteúdos e serve como apoio para tirar dúvidas”, elencou Fernanda.
Segundo o professor Dr. Edivasco, a meta da instituição é criar um comitê olímpico em 2027, com a participação de ex-alunos experientes em competições acadêmicas e professores, para potencializar o direcionamento e o acompanhamento dos estudantes ao longo do ano.
“Desde a nossa primeira reunião com as famílias, em todas as séries, destacamos que as olimpíadas precisam fazer parte da rotina dos nossos estudantes. A preparação olímpica auxilia muito em todas as áreas do conhecimento durante os trimestres; ou seja, vai muito além de conquistar ou não uma medalha. Além disso, sempre compartilhamos exemplos de alunos nossos que conquistaram vagas em cursos muito concorridos nas universidades a partir do bom resultado olímpico, um movimento que as próprias faculdades vêm ampliando”, concluiu.