Quem são os suspeitos que se uniram para tentar dar um golpe de quase R$ 1 bilhão na herança do fundador do grupo Objetivo

  • 05/04/2026
(Foto: Reprodução)
A história inventada para tentar roubar parte de uma fortuna bilionária. Um empresário investigado por falsificação, um ex-policial civil com passagens pela Polícia Federal e um árbitro judicial são os principais alvo da Justiça de São Paulo por tentar aplicar um golpe milionário contra herdeiros de João Carlos Di Genio, fundador do grupo Unip/Objetivo. Di Genio morreu em fevereiro de 2022, aos 82 anos, deixando uma herança estimada em R$ 16 bilhões. Três meses depois, uma empresa desconhecida da família apresentou uma cobrança milionária com supostos contratos que traziam a assinatura dele. A investigação, revelada na última semana, resultou na decretação de nove prisões preventivas. Só um suspeito foi detido até agora; os demais são considerados foragidos. Entre os principais estão Luiz Teixeira da Silva Júnior, ligado à empresa que apresentou a cobrança; Rubens Maurício Bolorino, ex-policial civil já preso em esquemas de venda de decisões judiciais; e Wagner Rossi Silva, responsável pela entidade usada no caso. Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira, apontado como facilitador do grupo, está preso. Entenda, a seguir, o que se sabe sobre a atuação dos principais investigados. ➡️ Luiz Teixeira da Silva Júnior aparece em postagens nas redes sociais como responsável técnico de uma clínica estética. Em 2022, ele se tornou sócio da Colonizadora Planalto Paulista Ltda., empresa imobiliária registrada no mesmo endereço da clínica. Luiz Teixeira da Silva Júnior Reprodução/TV Globo Foi por meio dessa empresa que surgiu a cobrança milionária envolvendo a herança de Di Genio. A Colonizadora apresentou à família do empresário uma dívida de R$ 635 milhões referente à suposta compra de 448 lotes em uma área rural de Piraju, no interior de São Paulo. A família afirma que nunca teve conhecimento da negociação. Perícias indicaram que assinaturas de João Carlos Di Genio teriam sido retiradas de documentos originais e inseridas digitalmente em contratos considerados fictícios, com datas de quando o empresário ainda estava vivo. Após a família solicitar os documentos originais da suposta venda, que nunca foram apresentados, a Colonizadora entrou na Justiça para tentar receber o valor antes da partilha dos bens. O pedido foi negado. Em seguida, os suspeitos recorreram a outro mecanismo: uma sentença de câmara arbitral que determinava o pagamento da dívida, agora elevada para quase R$ 1 bilhão. ⚖️ A câmara arbitral funciona como uma espécie de justiça privada. Em vez de levar o caso aos tribunais, mais demorados, as partes escolhem um árbitro para tomar a decisão. A sentença arbitral tem o mesmo valor de uma decisão judicial. ➡️ A câmara arbitral usada no esquema foi a Fonamsp (Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação), cujo dono é Wagner Rossi Silva, que tem passagens pela polícia por tráfico de drogas, estelionato e crimes contra o patrimônio. Wagner Rossi Silva, dono da Fonamsp Reprodução/TV Globo Segundo as investigações, a Colonizadora contratou a Fonamsp para realizar a manobra jurídica. Quando a polícia foi à sede da entidade nesta semana, encontrou um espaço cenográfico — sem computadores ou documentos. "Foi tudo uma encenação. Esses criminosos identificaram a vulnerabilidade de regulação para tentar obter alguma vantagem econômica", afirmou o promotor de Justiça Carlos Bruno Gaya da Costa. ➡️ Para dar aparência de legalidade ao processo, Rubens Maurício Bolorino, ex-policial civil, aparece como testemunha nos documentos. O ex-policial Rubens Maurício Bolorino Reprodução/TV Globo Ele foi preso duas vezes pela Polícia Federal — primeiro em um esquema de venda de decisões judiciais e, depois, em uma operação contra o tráfico internacional de drogas. Ele teria morado no mesmo condomínio que o bilionário Di Genio. Os suspeitos são investigados por estelionato, falsidade ideológica, organização criminosa e tentativa de induzir a Justiça ao erro. Segundo o Ministério Público, também são suspeitos: Anani Cândido de Lara: sócio da empresa, teria participado da montagem dos documentos e contratos; Patricia Alejandra Ormart Barreto: teria simulado notificações sem conhecimento do espólio; Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat: teria ajudado na formalização dos contratos; Carlos Xavier Lopes: ligado ao núcleo financeiro, atuaria para esconder a origem dos valores; Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura: teria atuado como "juíza arbitral" em decisão simulada. Repercussão Em nota, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afirma que as câmaras arbitrais são entidades privadas, sem credenciamento ou fiscalização prévia do Judiciário. No entanto, seus atos podem ser revistos posteriormente pela Justiça. ⚖️ Em caso de fraude ou falta de convenção válida, os documentos não têm valor jurídico e podem gerar responsabilização civil e penal. Em nota, a viúva de João Carlos Di Genio afirmou que confia no trabalho das autoridades. O advogado da Fonamsp, Guilherme Amaral, afirma que procurou o Ministério Público e a Polícia Civil para esclarecer a situação. A defesa de Luiz Teixeira disse que ele entrou na empresa imobiliária depois que o contrato dos terrenos teria sido firmado com Di Genio, e que a perícia nos documentos não é oficial, mas contratada pela família do empresário. Afirma ainda que ele segue à disposição da Justiça para todos os esclarecimentos. Os advogados de Jorge Alberto, Wagner Rossi e de Rubens Bolorino não foram localizados pela reportagem do Fantástico. LEIA TAMBÉM Empresário alvo de operação por tentar desviar herança da Unip já foi investigado por falsificar laudo contra Boulos João Carlos Di Genio, fundador do grupo Unip/Objetivo Reprodução/TV Globo Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/04/05/quem-sao-suspeitos-tentar-golpe-quase-1-bilhao-heranca-fundador-grupo-objetivo-di-genio.ghtml


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