Polícia ouve diretor de colégio e vítimas de alunos que fizeram lista on-line com categorias sexuais
08/07/2026
(Foto: Reprodução) Polícia ouve diretor de colégio e vítimas de alunos que fizeram lista on-line com categori
A Polícia Civil vai começar a ouvir a partir desta quarta-feira (8) os depoimentos do diretor do Colégio Cruzeiro e de alunas vítimas de uma lista feita por alunos da escola em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, em uma plataforma on-line (tierlist). As colegas foram definidas a partir de categorias sexuais, muitas delas depreciativas.
O diretor da instituição deve ser ouvido ainda nesta quarta-feira na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav).
Os investigados, todos menores de idade, responderão por crimes análogos a injúria, difamação e submissão de adolescente a vexame e constrangimento. Outros crimes podem ser incluídos ao longo da investigação.
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A delegada Maria Luiza Machado, da Dcav, disse que não se sabe ainda quantos alunos estão envolvidos, mas que a lista já foi retirada do ar. Tanto os envolvidos quanto as vítimas têm entre 14 e 17 anos.
"Nós recebemos esse caso há uns 2 dias e estamos empreendendo todos os esforços para reunir todos os boletins de ocorrência aqui na delegacia para investigar de forma integrada. É um caso que causa repulsa, principalmente aos pais, que veem o nome de suas filhas nessa lista extremamente pejorativa", afirma.
"Estamos monitorando todos os boletins feitos em outras delegacias para trazer para cá para termos tudo de forma uniforme aqui na especializada. Já intimamos o diretor e vamos ouvir algumas vítimas nos próximos dias, que vamos ouvir de forma especial", explica.
São pelo menos 65 meninas vítimas, e todas devem ser ouvidas, segundo a delegada.
Entre as categorias em imagens da “lista” às quais o g1 teve acesso, estavam:
'GOAT' (sigla para greatest of all time, termo em inglês para “melhor de todos os tempos”)
'Comeria no lucro'
'Bêbado vai'
'Me arrependi depois'
'Nem olharia'
Colégio Cruzeiro, em Jacarépaguá
Reprodução/Site oficial
Procurado, o colégio Cruzeiro afirmou que registrou o boletim de ocorrência e que fez uma denúncia à plataforma onde a lista foi criada. A relação já foi retirada do ar.
O que diz o colégio
O colégio se pronunciou com a seguinte nota:
"O bem-estar e a segurança de nossos alunos são prioridades absolutas no Colégio Cruzeiro e repudiamos qualquer atitude de exposição que os afetem. Assim que tomamos conhecimento dos fatos, acionamos as autoridades por meio de boletim de ocorrência, exigimos a remoção do conteúdo junto à plataforma — o que já foi feito —, alertamos as famílias e iniciamos o apoio integral às alunas e suas famílias.
Entendemos que o papel da escola vai além do ensino acadêmico, incluindo a formação integral do ser humano. A conduta ética e a responsabilidade digital são temas recorrentes da sociedade contemporânea. Por isso, oferecemos constantemente a nossos três mil alunos, campanhas de conscientização com palestras de juízes, psicólogos, especialistas em tecnologia, delegados, entre outros.
Nossa postura reflete a tradição e os valores de uma instituição que, ao longo de seus 164 anos, formou gerações pautadas pelo respeito e pelo desenvolvimento humano integral. Com base nos princípios e valores educacionais, a escola permanece atenta às medidas pedagógicas que lhe cabem para o zelo e preservação do ambiente formativo.
Quanto à autoria e punição, no âmbito penal, salientamos que as autoridades competentes estão cumprindo o seu papel investigativo."
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