Morre Jorge Messi: a história do guardanapo em que o pai de Messi assinou com o Barcelona o acordo que mudou o futebol
09/08/2026
(Foto: Reprodução) Esta foi a guardanapo assinado em dezembro de 2000.
Reuters
Um dos documentos mais importantes da história do futebol é um guardanapo.
O pedaço de papel, com 52 palavras escritas e assinado com tinta azul em dezembro de 2000, contém uma promessa do então dirigente do FC Barcelona, Carles Rexach, de contratar aquele que mais tarde se tornaria um dos maiores jogadores da história: Lionel Andrés Messi.
"Em Barcelona, em 14 de dezembro de 2000 e na presença dos senhores Minguella e Horacio, Carles Rexach, diretor esportivo do FC Barcelona, compromete-se, sob sua responsabilidade e independentemente de qualquer opinião contrária, a contratar o jogador Lionel Messi, desde que sejam respeitados os valores acordados."
Lionel Messi se despede de seu pai e recebe mensagens de carinho em Rosário; veja fotos
A pessoa que havia conseguido um documento tão importante junto a um dos clubes mais poderosos do mundo foi justamente Jorge Messi, pai de Lionel, que morreu no último sábado (8/8) na cidade argentina de Rosário, aos 68 anos.
O documento foi assinado por Josep Minguella, assessor de contratações do clube espanhol, e pelo agente Horacio Gaggioli, que havia recomendado o jovem argentino.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
Messi se incorporou ao Barcelona um mês depois de o acordo ter sido alcançado e chegou a tornar-se o maior artilheiro da história do clube. Muitos o consideram também o melhor jogador que já passou pelo clube... Ou, simplesmente, o melhor de todos os tempos.
Jorge Messi, ao centro, pai e figura fundamental na carreira brilhante de Lionel Messi.
getty
Messi estreou na equipe principal aos 16 anos e registrou a marca de 672 gols em 778 partidas pelo clube catalão.
"La Pulga", como foi apelidado, conquistou 10 títulos da espanhola La Liga e venceu a Liga dos Campeões quatro vezes com o Barcelona antes de se transferir para o Paris Saint-Germain (PSG), em 2021. Atualmente, o argentino campeão do mundo no Catar 2022 tem 39 anos e joga pelo Inter Miami, dos EUA.
Morre pai de Lionel Messi aos 68 anos na Argentina, diz jornal
Aquele guardanapo que abriu caminho para a carreira internacional do astro foi assinado durante uma reunião organizada por Rexach, que havia convidado Jorge Messi para almoçar, depois que a família do jogador manifestou preocupação com a falta de resposta do Barcelona após um teste inicial já realizado pelo então adolescente.
Em 2024, esse guardanapo foi leiloado em Nova York por cerca de US$ 900 mil.
História de perseverança
No início de 2000, em meio a um cenário político complexo na Argentina, Jorge Messi buscava com empenho evitar que o talento do filho ficasse enterrado como o de milhares de crianças na América Latina.
Lionel, aos 13 anos, já havia impressionado muitos especialistas em futebol, que não duvidavam de seu talento, mas sabiam que ele sofria de uma deficiência hormonal que dificultava seu crescimento e que, portanto, exigia um tratamento médico que custava cerca de US$ 900 por mês.
Jorge havia se reunido com dirigentes do River Plate, popular clube de Buenos Aires, e do Como, da Itália, entre outros clubes, mas nenhum podia garantir que cobriria os custos da terapia hormonal.
Foi então que surgiram no caminho duas pessoas fundamentais: os agentes de jogadores Horacio Gaggioli e Josep María Minguella.
Os dois conseguiram que Rexach, ex-jogador do FC Barcelona e então diretor esportivo do clube, observasse Lionel. Em setembro de 2000, Jorge e seu filho viajaram para a cidade catalã.
Rexach viu o jovem Messi e ficou muito impressionado. Mas naquele ano o Barcelona não atravessava seu melhor momento financeiro para assumir os custos de um adolescente e de um tratamento hormonal.
Lionel Messi estreou oficialmente pelo FC Barcelona em 2004.
getty
Os meses passavam e o clube catalão não tomava uma decisão. Em dezembro, Jorge Messi tomou uma decisão: voltariam para a Argentina.
"Jorge estava desesperado. Numa noite, estando com Minguella e Horacio no clube de tênis Pompeia, conversamos por telefone e ele me disse: 'Se isso não se resolver logo, vamos embora. Tenho de voltar para Buenos Aires e não vejo nada'", relatou Rexach à ESPN.
E acrescentou: "Foi então que, de improviso, decidi tudo".
O dirigente chamou imediatamente Jorge e seu filho ao café onde estava, o da Reial Societat de Tennis Pompeia, e, com o único papel que tinha à mão, selou um vínculo que se tornaria histórico: o de Lionel Messi e o FC Barcelona. Em um guardanapo.
"A questão de usar um guardanapo foi porque era a única coisa que eu tinha à mão. Vi que a única maneira de tranquilizar Jorge era assinando algo, dando-lhe alguma garantia, então pedi um guardanapo a um garçom e escrevi", contou Rexach.
Foram feitas as consultas pertinentes, e as duas partes concordaram que o documento era totalmente válido. Dessa forma, "La Pulga" começava sua vida no futebol.
Guardanapo leiloado
Pouco depois, os documentos formais foram assinados e o guardanapo acabou ficando mais como uma anedota.
Jorge Messi morreu neste sábado, aos 68 anos, em Rosário, Argentina.
getty
Gaggioli, que havia participado da reunião, ficou com o guardanapo e, duas décadas depois, o entregou à casa de leilões Bonhams para ser leiloado.
"Esse guardanapo mudou a vida de Messi, o futuro do FC Barcelona e foi fundamental para proporcionar alguns dos momentos mais gloriosos do futebol a bilhões de torcedores em todo o mundo", disse em 2024 à BBC Ian Ehling, responsável pelo departamento de livros raros e manuscritos da Bonhams em Nova York.
Embora em determinado momento tenham surgido acusações de que o guardanapo não era o original assinado naquela tarde de dezembro de 2000, acabou sendo comprovada a legitimidade do documento.
O leilão do histórico pedaço de papel teve um preço inicial de US$ 300 mil. Terminou com um valor próximo de US$ 1 milhão.