A jovem com câncer no cérebro que voltou a estudar após tratamento experimental na Unicamp

  • 29/10/2026
(Foto: Reprodução)
Jovem com câncer no cérebro volta a estudar após tratamento experimental na Unicamp Aos 19 anos, Nayumi Gentil Oliveira tem um sonho comum a muitos jovens: entrar na faculdade. Mas chegar até aqui exigiu enfrentar uma doença que ameaçou interromper não apenas os estudos, mas a própria vida. Diagnosticada com glioblastoma, um tipo agressivo de câncer cerebral, ela recebeu um prognóstico de menos de um ano de vida. Mesmo após passar pelos tratamentos convencionais, a doença continuou avançando. Foi então que a família procurou a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde pesquisadores desenvolviam uma imunoterapia contra o câncer. O tratamento clínico experimental ajudou a controlar o tumor de Nayumi, segundo a equipe responsável, e permitiu que ela voltasse à escola e concluísse os estudos. "Eu falo que foi a mão de Deus que colocou a gente exatamente na Unicamp. E eu sou muito grata, sou muito grata mesmo. Eu acredito muito que se não fosse a Unicamp, a minha filha não estava comigo hoje, não estava mesmo", contou a mãe, Naeide Oliveira. Esta reportagem faz parte da série “Unicamp 60”, produzida pela EPTV em comemoração às seis décadas da Universidade Estadual de Campinas. Exibida no EPTV 2, a produção reúne cinco episódios que mostram, por meio de pesquisas e histórias de vida, como a universidade transforma a sociedade e contribui para o desenvolvimento do Brasil. Uma nova possibilidade Nayumi Gentil Oliveira (à, de 19 anos, ao lado da mãe, Naeide Oliveira. A jovem voltou a estudar após apresentar redução e estabilização de um tumor cerebral durante tratamento experimental desenvolvido pela Unicamp Reprodução/EPTV Quando Nayumi chegou à Unicamp, já havia passado pelos tratamentos médicos indicados para o glioblastoma, mas o câncer continuava avançando. A equipe liderada por Wagner José Fávaro, diretor do Instituto de Biologia da universidade, estudava uma tecnologia chamada OncoTherad, imunoterapia desenvolvida e patenteada pela Unicamp. A pesquisa começou há cerca de 13 anos, inicialmente voltada ao câncer de bexiga. Desde então, os cientistas passaram a investigar a aplicação do tratamento em outros tipos de tumor. 🔬 Como funciona? O OncoTherad utiliza nanopartículas sintéticas para estimular o sistema imunológico a combater a doença. A tecnologia busca ativar células de defesa chamadas linfócitos T, responsáveis por participar da resposta do organismo contra tumores e agentes infecciosos. Segundo os pesquisadores, essa ativação estimula a produção de uma proteína chamada interferon, que desempenha um papel importante na defesa do organismo. No caso de Nayumi, Fávaro relatou uma resposta positiva ao tratamento. "O tumor dela diminuiu no primeiro momento e estabilizou. É como se nós colocássemos o tumor dela para dormir." A estabilização permitiu que a jovem retomasse parte da rotina interrompida pela doença, incluindo os estudos. "Então, com a doença adormecida, a Nayumi voltou à escola, que antes ela tinha abandonado, ela voltou para a escola, conseguiu se formar", contou o pesquisador. O OncoTherad ainda é uma tecnologia em investigação para o glioblastoma. Embora a evolução de Nayumi seja considerada positiva pela equipe responsável, o resultado individual não comprova a eficácia do tratamento para outros pacientes nem representa uma cura para a doença. O sonho de chegar à faculdade Wagner José Fávaro, diretor do Instituto de Biologia da Unicamp, coordena pesquisas com o OncoTherad, imunoterapia experimental desenvolvida pela universidade para o tratamento de tumores Reprodução/EPTV Depois de concluir a escola, Nayumi agora enfrenta o desafio de ingressar no ensino superior. As dificuldades de concentração ainda representam um obstáculo. "Eu não consigo entrar para uma faculdade, por causa que eu sou muito ruim de prestar atenção. Aí, fica difícil para mim", contou, emocionada. Apesar das limitações, ela não desistiu de continuar estudando. A fé e o acompanhamento médico são parte da maneira como encontra forças para seguir em frente. "Eu tenho um Deus que me... Ele consegue... Ele me dá forças para tudo o que eu quero. E o tratamento também está me ajudando muito." Para a família, cada conquista passou a ter um significado diferente. Voltar à sala de aula, terminar os estudos e fazer planos para o futuro são passos que pareciam distantes quando a doença avançava. Da pesquisa à vida das pessoas A cientista Livia Schiavinato Eberlin segura a chamada 'caneta do câncer', tecnologia em teste na Unicamp que permite identificar tecidos tumorais durante cirurgias em cerca de dez segundos Reprodução/EPTV A história de Nayumi é um exemplo de como pesquisas desenvolvidas nas universidades podem ultrapassar os laboratórios e chegar à vida das pessoas. Ao longo de seis décadas, a Unicamp participou de descobertas e avanços que transformaram a medicina, a alimentação, a agricultura e a tecnologia no Brasil. Entre essas contribuições estão pesquisas ligadas à ampliação do teste do pezinho, que permite identificar doenças em recém-nascidos, e ao aperfeiçoamento do DIU hormonal, utilizado como método contraceptivo A universidade também participou do desenvolvimento de tecnologias que ajudaram a transformar a comunicação por fibra óptica e contribuíram para a segurança da urna eletrônica brasileira. Na alimentação, uma das invenções mais curiosas foi a chamada vaca mecânica, equipamento desenvolvido para processar soja e produzir extrato vegetal e farelo utilizado na fabricação de alimentos. A tecnologia surgiu como uma alternativa para ampliar o acesso a alimentos nutritivos e ajudar no combate à desnutrição, chegando a ser exportada para Cuba. Hoje, novas pesquisas continuam buscando soluções para problemas antigos. Uma delas é a chamada caneta do câncer, tecnologia em teste na Unicamp que permite identificar características de tecidos tumorais durante cirurgias, em aproximadamente dez segundos. Diferentemente de uma caneta convencional, o equipamento analisa informações moleculares dos tecidos e ajuda os médicos a distinguir áreas afetadas pelo câncer de partes saudáveis, que podem ser preservadas durante o procedimento. Segundo a cientista Livia Schiavinato Eberlin, formada pela Unicamp e responsável pelo desenvolvimento da tecnologia, os resultados preliminares de um estudo com câncer de pulmão apontaram 95% de exatidão na identificação da doença durante cirurgias. "Transformador no processo cirúrgico, porque essa informação ajuda o cirurgião, a cirurgiã, a entender onde parar de cortar o tecido, onde que o tumor realmente está presente e qual é o tecido normal que pode ser preservado e não ser retirado do paciente", explicou. De acordo com o Anuário de Estatísticas da Unicamp, a universidade produz mais de 6 mil publicações científicas por ano. São pesquisas com diferentes aplicações, mas que compartilham o objetivo de transformar conhecimento em benefícios para a sociedade. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/educacao/noticia/2026/10/29/a-jovem-com-cancer-no-cerebro-que-voltou-a-estudar-apos-tratamento-experimental-na-unicamp.ghtml


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